Paris Não Tem Fim - Enrique Vila Matas
Escrito em. 28 March, 2008 por Murilo Contro
Título: Paris Não Tem Fim
Autor: Enrique Vila Matas
ISBN: 978-85-7503-682-2
Editora: Cosac Naify
Construído à maneira de uma conferência de três dias sobre o tema da ironia, Paris não tem fim (título de um dos capítulos de Paris é uma festa, de Ernest Hemingway) é um divertido e melancólico relato ficcional e autobiográfico do espanhol Enrique Vila-Matas sobre o exílio voluntário de dois anos em que alugou, patrocinado por seus pais, a água-furtada de Marguerite Duras, durante o período da ditadura franquista. Artistas, escritores, cineastas, intelectuais e travestis exilados na capital francesa nos anos 1970 acompanham o jovem aprendiz de romancista pelas ruas, festas, cafés e livrarias em que se dá sua formação – ou “deformação”, como sugere a orelha de Cassiano Elek Machado. A estrutura fragmentária e o humor de Paris não tem fim trazem de volta ao leitor brasileiro a fina literatura do Vila-Matas de Bartleby e companhia e Omal de Montano.
Trechos do livro Paris Não Tem Fim - Enrique Vila Matas
MARGUERITE DURAS
Nos anos passados em Paris, o protagonista morou, assim como o próprio Vila-Matas, numa água-furtada que pertencia a Marguerite Duras. A escritora não costumava dar muita confiança àquele jovem ainda atrapalhado com a literatura, mas chegou a dar orientações para o texto de seu début como escritor:Um dia, cruzei com Marguerite Duras na escadaria – eu subia até minha chambre e ela descia até a rua – e ela se mostrou subitamente interessada em saber com que coisas andava entretido. E eu, querendo me fazer de importante, lhe expliquei que me propunha a escrever um livro que produzisse a morte de todos os que o lessem. Marguerite ficou dura, sublimemente estupefata. Quando conseguiu reagir, disse – ou entendi que me dizia, porque voltou a falar comigo no seu francês superior – que matar o leitor, além de um despropósito, era algo impossível, a não ser que, por exemplo, saísse disparada uma veloz e afiada flecha envenenada do interior do livro e fosse direto ao coração do desprevenido leitor.
ERNEST HEMINGWAY
Era, sobre todos os outros, a referência máxima para o protagonista de Paris não tem fim, assim como para o próprio autor. A tentativa de igualar-se ao ídolo, no entanto, se verificava mais na maneira de viver do escritor norte-americano do que no tipo de escrita:
E de onde saíra essa idéia de ter Hemingway como referência quase suprema? De quando tinha quinze anos e li de uma só vez seu livro de recordações sobre Paris e decidi que seria caçador, pescador, repórterde guerra, bebedor, grande amante e boxeador, quer dizer, que seria como Hemingway.
Sobre o autor Enrique Vila Matas
Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Ele é autor de uma extensa obra narrativa que tem sido traduzida para 27 línguas e que o situam nos últimos anos entre os mais importantes e originais escritores espanhóis. Fonte: Wikipédia a enciclopédia livre.
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