Abro os olhos. Da mesma forma que começou, não lembro por inteiro quando acabou. Ainda não diferente tudo estava na mais absoluta escuridão. Exceto que da minha cama agora pela primeira vez em mais de vinte anos posso sentir o ar confinado. Consigo tocar esse cheiro que sempre esteve ali mas era insuficiente para eu chegar a sentir. Me recobro, respiro fundo. Agora não consigo mais voltar a perceber, foi rápido, me marcou, felizmente me entreguei por inteiro e ao máximo, entre o mínimo espaço que divide o início do meio. Não sei se novamente quando querer experimentar vou lembrar dele por completo ou apenas terei fragmentos de sua fragrância que foi tão feliz e medonho. Sempre e quando quiser vou lembrar, eu sei. Com o tempo tenho quase certeza que vou distorcer de forma saudável o que vivi, mas sei que nunca mais vai entrar pelo nariz esse cheiro que passou.
Murilo Parra Contro





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Marcio Gazetta
Sinceramente eu queria saber qual foi esse cheiro.
Fiquei curioso. Passou muita coisa na minha cabeça.
Aguardo sua resposta
Mar 17th, 2008
Murilo Contro
[Não apague! O comentário número #54 será citado aqui.]
Não lembro. O cheiro foi embora faz uns 10 anos.
Mar 17th, 2008
Paula
Murilo,
sempre me surpreendendo.
Mar 17th, 2008
Dani
Como não lembra? Você disse que “sempre que queiser vai lembrar”…Eu sou o contrário…Lembro de todos os cheiros sendo que eles nem existem (talvez)…Cheiro de pedra, cheiro de pele ressecada, cabelo oleoso, papel roxo que envolve a pêra, algodão doce rosa, menos de barata. Baratas não têm cheiro. A despeito de tudo o que dizem, os cheiros que descrevem como se fossem de barata são de mofo, poeira, guardado, embaixo da pia…menos de barata. Mas isso é um outro assunto!
Mar 17th, 2008
Murilo Contro
[Não apague! O comentário número #57 será citado aqui.] Lembro melhor desse cheiro quando vejo as fotografias da época de quando era criança…
Mar 17th, 2008
Reply to “O cheiro entre o mínimo espaço que divide o início do meio.”